Em junho a Microsoft apresentou um Copilot Studio reconstruído: agentes que recebem um objetivo, montam o próprio plano e trabalham com documentos sem que ninguém desenhe o caminho para eles. A demo é impecável e a tentação é óbvia: mover tudo para o modelo novo.
Antes de fazer isso, vale olhar o que a Microsoft diz no próprio guia. O Copilot Studio clássico continua com suporte, continua recebendo agentes novos e, para certo tipo de trabalho, a própria Microsoft o recomenda acima do novo.
Dois Copilot Studio morando na mesma casa
Hoje existem duas formas de criar agentes na mesma ferramenta.
O clássico trabalha com um roteiro. Você define os temas, as perguntas e os caminhos, e o agente segue. Se alguém pergunta algo que não estava previsto, o agente não improvisa.
O novo trabalha com objetivos. Você dá uma tarefa, por exemplo revisar notas fiscais e comparar com pedidos de compra, e ele decide os passos, usa as ferramentas de que precisa e, se algo falha, procura outra rota.
Os dois convivem e nenhum se converte no outro. Um agente clássico não passa para o modelo novo com um botão: é preciso construí-lo de novo.
| Clássico | Novo | |
|---|---|---|
| Como trabalha | Segue o roteiro que você escreveu | Monta o próprio plano a partir de um objetivo |
| Quão previsível é | Muito previsível | Pode seguir caminhos diferentes a cada vez |
| Documentos | Processa arquivos em partes pequenas | Cria e edita Word, Excel, PowerPoint e PDF |
| Memória | Não lembra entre conversas | Lembra preferências e correções |
| Quando começa a cobrar | Ao publicar | Desde que você começa a construir |
| Como cobra | Tarifa fixa por ação | Conforme quanto o agente trabalha em cada tarefa |
| Maturidade | Completo e testado | Ainda faltam funções do clássico |
Primeira vantagem: você sabe exatamente o que ele vai responder
Em um help desk, em um formulário de pedido de férias ou no atendimento a clientes, a criatividade do agente é um risco. Ninguém quer que o bot de RH interprete a política de licenças com liberdade artística.
O clássico responde o que você ensinou. Por isso a Microsoft o recomenda quando a tarefa é curta, estruturada e precisa de um comportamento previsível. Além disso, responde mais rápido, porque não para para raciocinar a cada passo.
Segunda vantagem: a conta se faz com calculadora
O Copilot Studio cobra em Copilot Credits. Um pacote mensal custa USD 200 por 25.000 créditos, e no pagamento por uso cada crédito vale USD 0,01.
No clássico, cada ação tem preço fixo:
- Resposta de roteiro: 1 crédito
- Resposta gerada por IA: 2 créditos
- Ação, como criar um registro ou enviar um e-mail: 5 créditos
- Resposta que busca nos dados da empresa: 10 créditos
Com isso, alguém de finanças consegue estimar o gasto do mês antes de começar. E se os funcionários têm licença do Microsoft 365 Copilot e usam o agente dentro do Teams, do SharePoint ou do Copilot Chat, boa parte desse consumo não é cobrada.
No novo não existe tarifa por resposta. O consumo depende de quanto o agente raciocina, quantas ferramentas usa e quanto tempo leva, e começa a correr enquanto você constrói e testa. A Microsoft não publica um preço por tarefa: oferece uma calculadora para estimar.
No clássico você sabe quanto custa uma resposta. No novo, descobre no fim do mês.
Terceira vantagem: ele já está pronto
O clássico tem anos de uso, conectores testados e está disponível em todos os canais habituais. O novo chegou em junho, e a Microsoft ainda recomenda validar se existem as funções e os canais de que você precisa antes de escolhê-lo.
Para um agente que já atende centenas de pessoas por dia, trocar algo que funciona por algo que ainda está sendo completado é uma aposta difícil de justificar no comitê.
Onde o novo ganha com folga
O modelo novo existe por um motivo. Quando a tarefa é longa, envolve vários sistemas e exige decisões no caminho, o clássico fica curto: cada imprevisto obriga a escrever mais regras, e o roteiro acaba parecendo um labirinto.
O novo resolve esse tipo de trabalho de ponta a ponta. Lê uma planilha inteira, cruza dados com outro sistema, gera o relatório em Word e, se um passo falha, tenta outro caminho. Os modelos de raciocínio mais avançados da Microsoft só estão disponíveis ali.
Os exemplos que a Microsoft dá são preparar reuniões com clientes, auditorias de conformidade e conciliação de contas a pagar. Trabalho que hoje consome horas de uma pessoa.
O erro caro: usar o novo para tudo
O próprio guia da Microsoft avisa: um agente mais capaz pode complicar um problema simples, demorar mais e custar mais sem entregar um resultado melhor.
Colocar o modelo novo para responder o horário do refeitório é pagar por raciocínio que ninguém pediu, com uma fatura que cresce desde o primeiro dia de testes.
A regra para não pagar a mais
Três perguntas resolvem a maioria dos casos:
- A tarefa é curta e se repete igual toda vez? Clássico.
- É longa, usa documentos e exige decisões no caminho? Novo.
- Você já tem um agente clássico que funciona bem? Deixe onde está. A Microsoft diz textualmente que ele não precisa mudar só porque existe outra opção.
A Microsoft também propõe uma combinação: um agente novo que trabalha de madrugada organizando planilhas e documentos espalhados, e agentes clássicos que atendem durante o dia usando esses dados já limpos. Cada um faz o que sabe fazer.
Para receber a próxima análise, assine a newsletter da macareno.net.
Fontes
- Choose a harness for your agent, Microsoft Learn
- Harnesses in Copilot Studio, Microsoft Learn
- Classic vs. new agent experience, Microsoft Learn
- Billing rates and management, Microsoft Learn
- Microsoft Copilot Studio licensing guidance, Microsoft




