O Copilot chegou ao **Viva Engage**. E não havia nada para resumir.
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O Copilot chegou ao Viva Engage. E não havia nada para resumir.

Viva Topics morreu. Viva Goals foi embora. O foco passou para Copilot. Mas ninguém perguntou o que o Copilot vai encontrar quando abrir o Viva Engage da sua organização.

Macareno4 min de leitura

Sua organização tem o Viva Engage. Talvez até tenha o Copilot habilitado nele. E existe uma probabilidade alta de que, quando alguém pedir ao Copilot que resuma o que foi discutido nas comunidades internas na última semana, a resposta seja: nada relevante.

Não porque o Copilot falhou. Porque ninguém publicou nada.

O cemitério que a Microsoft não anunciou

Entre fevereiro de 2025 e abril de 2026, a Microsoft retirou discretamente três produtos do ecossistema Viva:

Viva Topics saiu em fevereiro de 2025. Era o produto que usava IA para identificar especialistas e criar páginas de conhecimento automaticamente. Foi substituído por um modelo mais simples, sem IA, sem cards, sem automação.

Viva Goals fechou em dezembro de 2025. O produto de OKRs corporativos, que muitas organizações haviam adotado com entusiasmo, foi descontinuado sem substituto nativo.

Live Events no Viva Engage foram aposentados em abril de 2026. As transmissões ao vivo migraram para o Teams Town Hall, em mais uma fusão de experiências que simplifica o portfólio mas confunde quem já havia construído fluxos sobre a plataforma anterior.

Produto Retirada
Viva Topics Fevereiro 2025
Viva Goals Dezembro 2025
Live Events no Viva Engage Abril 2026

Três produtos. Dezesseis meses. Quase nenhuma cobertura.

O que sobreviveu e por quê

O que ficou em pé foi o que a Microsoft consegue medir: engajamento, reações, comentários, visualizações.

  • Viva Engage sobreviveu porque tem métricas de rede social
  • Viva Connections sobreviveu porque é a porta de entrada no Teams
  • Viva Insights sobreviveu porque mede produtividade e agora mede adoção de Copilot

O que foi embora foi o que dependia de comportamento humano para funcionar: criar tópicos, atualizar objetivos, produzir conteúdo. A IA não consegue preencher o vazio deixado por uma organização que parou de se comunicar internamente.

Quando adotar IA virou o único projeto de adoção

Em algum ponto de 2025, os times de adoção e change management de quase todas as organizações tiveram que responder a uma nova pergunta da liderança: "Qual é o nosso plano de adoção de Copilot?"

E essa pergunta engoliu todas as outras.

Os projetos de comunicação interna foram pausados. Os campeões de mudança que antes animavam comunidades no Viva Engage passaram a fazer treinamentos de prompts. Os dashboards de adoção, que antes mediam uso de SharePoint e Teams, agora medem sessões de Copilot.

O Viva Insights de março de 2026 adicionou métricas nativas de Copilot: ações executadas por aplicativo, tendências de adoção, comparações por grupo. É um dashboard elegante. Mede muito bem o uso de uma ferramenta que, segundo os próprios dados da Microsoft, apenas 4% dos usuários usa ativamente.

O que o Copilot vai encontrar

O Copilot no Viva Engage pode fazer coisas úteis: resumir conversas de uma comunidade, identificar temas em tendência, ajudar na redação de posts. É uma camada de IA funcional sobre uma rede social corporativa.

O problema é o que está embaixo dessa camada.

Se a comunidade de "Transformação Digital" da sua organização tem três posts dos últimos seis meses, o Copilot vai resumir três posts. Se o canal de "Boas Práticas em SharePoint" tem conteúdo de 2023, o Copilot vai resumir conteúdo de 2023. Se ninguém publica, ninguém responde e ninguém interage, o Copilot vai resumir o silêncio com muita elegância.

A IA amplifica o que existe. Não cria o que nunca houve.

O jardim que ninguém regou

Existe uma crença implícita de que a IA resolve o problema do conteúdo. Que, com ferramentas melhores, as pessoas vão se comunicar mais e melhor. Mas o Viva Topics já prometia isso e foi desativado porque dependia de algo que a IA não pode substituir: pessoas que consideram relevante compartilhar o que sabem.

O desafio de conteúdo interno é um problema de cultura, não de plataforma.

E enquanto todos os recursos de adoção estiverem apontados para o uso de Copilot, o jardim vai continuar secando.

A ironia é que o Copilot só vai valer a pena quando houver algo para encontrar, resumir e conectar. E isso requer uma estratégia de conteúdo interno que, neste momento, quase nenhuma organização está construindo.

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