Primeiro foi o HTML no SharePoint. **Agora o Copilot constrói apps**
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Primeiro foi o HTML no SharePoint. Agora o Copilot constrói apps

O Copilot Cowork agora constrói apps em React conectados ao SharePoint, Dataverse ou SQL, que leem e gravam dados. O que faz a App skill, onde esses apps rodam, o que o administrador controla e quanto custa executá-los.

Macareno7 min de leitura

Há poucos dias, o SharePoint começou a aceitar páginas HTML. Já contamos aqui: um formato novo que o Copilot escreve de uma vez, trancado num iframe que não sabe quem está olhando e que mostra os dados de uma lista sem poder mexer neles. Um visualizador. Útil, mas um visualizador.

Enquanto isso, do outro lado do Microsoft 365, o Copilot Cowork ganhou uma skill que joga em outra liga. Ela se chama App, está em preview dentro do programa Frontier e não gera páginas. Gera aplicativos. Daqueles que leem a sua lista do SharePoint, mostram o que está em risco e, quando você muda um dado, gravam de volta na lista.

A foto começou a se mexer.

Da lista ao app em três prompts

A melhor demonstração pública até agora é de Reza Dorrani, um dos criadores de conteúdo mais conhecidos do mundo Power Platform. Ele parte de uma lista do SharePoint com um portfólio de projetos: responsável, área, status, saúde, orçamento. Pede ao Cowork uma "central de comando de entrega de projetos" com indicadores no topo, saúde, avanço e orçamento versus gasto, numa tela limpa para executivos.

O Cowork aciona a skill e, alguns minutos depois, devolve um link com o app funcionando sobre os dados reais. Segundo prompt: destacar os projetos em risco, adicionar busca, filtros por responsável, área, status e saúde, e uma visão de detalhe. Terceiro prompt: permitir criar e editar projetos. Reza muda a saúde de um projeto para "no caminho", salva, e o projeto some da seção de alertas. A alteração já está na lista.

Ninguém escreveu uma linha de código. Mas o código existe.

Por dentro: React, um config.json e uma regra

Isso não é HTML estático. O Cowork gera um projeto React completo e deixa ver o código-fonte. Há um config.json com o ID do app, o ambiente onde ele foi criado e a conexão com a lista do SharePoint. A conexão passa pelos conectores da Power Platform, mais de 1.500, então a fonte poderia ser Dataverse, SQL ou Excel em vez de uma lista.

A regra: dentro do Cowork, esse código é somente leitura. Dá para olhar, não para mexer. Toda alteração passa por um prompt.

A página HTML deixa você olhar a lista. O app deixa você mudá-la.

O motor tem nome: Copilot Managed Runtime

O Cowork é só uma das portas. Esses apps rodam no Copilot Managed Runtime, também em preview, que tem três entradas: o Cowork para quem quer pedir o app numa conversa, o Copilot Studio para makers que querem controlar melhor cada etapa, e um SDK com CLI próprio (o comando ms) para desenvolvedores que preferem VS Code e Git.

As três geram o mesmo artefato: um app hospedado pela Microsoft, com autenticação do Entra ID embutida, que herda as políticas do tenant e aparece no inventário do administrador. O usuário final encontra todos num mesmo portal, managedapps.cloud.microsoft.

Para quem constrói portais, um detalhe importante: esses apps não vivem dentro de uma página do SharePoint. Vivem no próprio runtime. Leem e gravam no SharePoint, mas não são SharePoint.

Três formas de mostrar uma lista

Página HTML App no Cowork Web part SPFx
Quem cria Qualquer autor, ou o Copilot Qualquer usuário, com o Cowork Um desenvolvedor
Dados Lista, Excel, CSV, só leitura Mais de 1.500 conectores, leitura e escrita Qualquer API, leitura e escrita
Sabe quem está usando Não Sim, com o Entra ID Sim, com o contexto do SharePoint
Onde vive Site Pages, dentro de um iframe Runtime próprio, fora do SharePoint Dentro da página do SharePoint
O código Não há código para manter React, somente leitura no Cowork Seu, no seu repositório
Licença para usar Nenhuma Power Apps Premium ou créditos Nenhuma adicional
Maturidade Preview, GA entre novembro e dezembro Preview Frontier Disponível há anos

A parte que não aparece na demo: o administrador

O mais interessante do vídeo não é o app. São os últimos quatro minutos.

No centro de administração do Microsoft 365 aparece uma seção nova, Aplicativos, com o inventário de todos os apps gerenciados do tenant: quem criou, quando, se está ativo, quantos usuários diários tem. Para cada app, o administrador vê quais conectores ele usa, configura alertas sobre taxa de abertura bem-sucedida, tempo de carregamento e quantidade de inicializações, e pode bloqueá-lo ou excluí-lo.

Há também uma linha de base de conectores permitidos que a Microsoft define por padrão e o administrador pode restringir, uma política para decidir se os apps são compartilhados com toda a organização ou só com pessoas e grupos escolhidos, e uma política de segurança de conteúdo que controla onde o app pode ser incorporado e quais recursos externos ele carrega.

E aqui está o detalhe que vale o artigo: cada app é construído no ambiente de desenvolvedor pessoal de quem o cria, usando o roteamento de ambientes da Power Platform. Se o tenant não tem uma regra de roteamento configurada, a Microsoft aplica uma padrão.

Tradução: numa empresa onde ninguém nunca abriu o centro de administração da Power Platform, no dia em que o Frontier for ativado cada pessoa vai ter a sua própria oficina para fabricar apps, com a configuração que a Microsoft escolheu por ela.

As letras miúdas

  • Usar o app tem custo. Quem executa precisa de Power Apps Premium ou de Copilot Credits. Com créditos, cada inicialização é cobrada e cada chamada de API consome 0,1 crédito. Sem créditos suficientes, o usuário recebe um aviso e é bloqueado depois de 20 operações ou cinco minutos de uso. E construir o app é uma tarefa do Cowork, que tem o seu próprio taxímetro.
  • O código não sai fácil do Cowork. O SDK trabalha com Git, num repositório gerenciado pela plataforma ou num próprio, desde que pertença a uma organização no GitHub Enterprise Cloud. Azure DevOps não é suportado. O que a documentação ainda não esclarece é se um app nascido no Cowork pode ser levado para esse fluxo para continuar sendo editado com código. Antes de prometer isso a um cliente, é preciso testar.
  • O link é uma chave. A Microsoft avisa que quem recebe o link pode abrir e usar o app, incluindo todos os seus dados. Compartilhar um app é abrir uma porta para a lista.
  • É preview. Frontier significa que os recursos podem mudar, ou não chegar à disponibilidade geral do jeito que aparecem hoje.
  • O app é tão bom quanto a lista. Uma lista com texto livre nas colunas de status e saúde gera um app bonito que filtra mal. A arquitetura da informação continua sendo trabalho humano.

Onde se encaixa

Para o protótipo de uma tarde, o painel de um time ou o app de acompanhamento que hoje vive num Excel que circula por e-mail, é difícil pensar em algo mais rápido. Nesse terreno ele concorre direto com o Power Apps canvas, e faz isso conversando.

Para o que precisa viver dentro do portal, se combinar com outras web parts, durar anos com controle de versão ou se integrar a sistemas sem conector, o SPFx continua sendo a resposta. Por arquitetura, não por costume.

O ponto

Em poucas semanas, a Microsoft mostrou duas maneiras de o Copilot construir coisas sobre os seus dados do SharePoint. As páginas HTML olham. Os apps do Cowork olham, gravam e sabem quem está do outro lado. A distância entre os dois é a mesma que existe entre um relatório e um sistema.

E sistemas, mesmo nascendo de um prompt, precisam de dono, orçamento e regras. A Microsoft entregou as ferramentas de governança no mesmo dia que o recurso. O que não vem incluído é a decisão de usá-las.

Sua organização vai ativar o Frontier ou já está testando Apps no Cowork? Vamos conversar em macareno.net antes que o inventário se encha sozinho.

Fontes

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