O Viva Amplify chegou ao SharePoint para medir quem leu o seu comunicado. **Spoiler: quase ninguém.**
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O Viva Amplify chegou ao SharePoint para medir quem leu o seu comunicado. Spoiler: quase ninguém.

O Viva Amplify, a ferramenta da Microsoft para planejar, distribuir e medir comunicação interna, agora funciona dentro do SharePoint. O que faz, o que mede, onde trava e por que a licença por pessoa complica a conta.

Macareno6 min de leitura

A comunicação interna das grandes empresas tem um superpoder: publicar a mesma notícia em quatro canais e não saber se ela foi lida em nenhum. E-mail, Teams, intranet, Viva Engage. Quatro lugares, quatro versões ligeiramente diferentes do mesmo texto, zero certeza.

Para esse problema, a Microsoft tem um produto com nome de caixa de som: o Viva Amplify. E desde setembro de 2026 ele não precisa mais ser aberto num aplicativo separado. Agora vive dentro do SharePoint.

O amplificador que pouca gente ligou

O Viva Amplify é a ferramenta da Microsoft para quem faz comunicação interna em escala. Em vez de publicar notícias soltas, a equipe monta campanhas: define a mensagem, escreve uma vez, distribui para Outlook, Teams, SharePoint e Viva Engage, passa por fluxos de aprovação, agenda o envio e depois mede o resultado por canal e por público. Tem até assistência de escrita com IA, porque em 2026 nada sai sem.

No papel, é o painel de controle que todo diretor de comunicação pediu de Natal. Na prática, tinha um defeito simples: era mais um aplicativo. A notícia nascia no SharePoint, a campanha morava no Amplify, e a equipe vivia indo e voltando entre os dois.

Entre julho e setembro de 2026, a Microsoft liberou no mundo todo as campanhas dentro do SharePoint. O amplificador foi plugado direto na intranet.

Uma pasta com nome bonito

Tirando o marketing, uma campanha no SharePoint é isto: um agrupador de notícias. Você entra nas configurações do site, abre Site campaigns, dá um nome, uma descrição, uma miniatura, e começa a pendurar posts ali dentro.

Não tem campo de objetivo, não tem público-alvo definido, não tem métrica de sucesso. Curiosamente, tudo aquilo que o Amplify original tinha. A versão do SharePoint é o amplificador sem o equalizador.

O lado bom é que a campanha herda as permissões do site. Quem é membro cria, quem é visitante lê. Simples. Simples até demais, como veremos.

Escreva uma vez, espalhe em quatro

Aqui está a parte que realmente vale alguma coisa. A notícia publicada no SharePoint pode ser distribuída para Outlook, Teams, Viva Engage e outros sites a partir da mesma tela, com o formato ajustado para cada canal.

Fim do ritual de copiar o texto para o e-mail, encurtar para o Teams e reescrever para o Engage, com uma versão diferente em cada lugar porque alguém mudou a data no meio do caminho. Só isso já economiza horas por mês de quem trabalha com comunicação.

Números, finalmente. Para quem pagar

O painel da campanha mostra visualizadores únicos, total de visualizações, tempo médio de leitura, tráfego por hora, compartilhamentos, reações em todos os canais e cliques nos links.

Nada que um analista de marketing digital não tenha há quinze anos. Mas para a comunicação interna, que até ontem respondia "o pessoal viu?" com fé, é um salto. E é um salto perigoso: pela primeira vez a diretoria vai ver, em número, quanta gente ignora o comunicado do CEO.

Medir a leitura é ótimo. Até o dia em que o número aparece na reunião de diretoria.

O que ninguém colocou no anúncio

A primeira versão vem com algumas restrições que dizem muito sobre o estágio do produto:

  • Só notícias. Páginas comuns não entram na campanha. Ainda.
  • Casamento sem divórcio. Associou uma notícia a uma campanha, não dá para desfazer.
  • Dois Amplifys. As campanhas criadas no site e as criadas no aplicativo do Amplify não conversam entre si. Quem já usava o app agora tem dois lugares para a mesma coisa. Integração, versão Microsoft.
  • Governança opcional. A configuração de administrador que define quem pode criar campanhas vale só para o aplicativo, não para os sites. Ou seja: todo membro de site vira, potencialmente, um gestor de campanhas.

Esse último ponto é o tipo de detalhe que transforma a intranet num feirão de "campanhas" que são, na verdade, avisos de manutenção do ar-condicionado com miniatura.

A catraca continua na porta

Agora a parte divertida. As campanhas no SharePoint só funcionam para quem tem licença do Viva Amplify. E o Amplify não se vende sozinho: vem no pacote Viva Employee Communications and Communities, a 2 dólares por usuário por mês, ou na Viva suite, a 12 dólares. Compromisso anual, claro.

Dois dólares parece troco. Até ler o FAQ da própria Microsoft, que diz que a licença é necessária não só para criar campanhas, mas também para receber comunicações pelo Amplify. Se for essa a leitura no seu contrato, quem paga não é a equipe de comunicação. É a empresa inteira.

Colaboradores Comunicações e Comunidades (US$ 2) Viva suite (US$ 12)
500 US$ 12.000 por ano US$ 72.000 por ano
3.000 US$ 72.000 por ano US$ 432.000 por ano
10.000 US$ 240.000 por ano US$ 1.440.000 por ano

Setenta e dois mil dólares por ano para uma empresa de três mil pessoas descobrir quantas delas leram a notícia da festa de fim de ano. A ferramenta mora no SharePoint, que a empresa já paga. A régua, não. (Confirme o modelo exato com seu parceiro de licenciamento. Com a Microsoft, a letra miúda costuma ter letra miúda.)

Para quem a conta fecha (e para quem não)

Fecha para empresas grandes, com comunicação interna profissionalizada, campanhas de verdade com começo, meio e fim, e público espalhado entre escritório, fábrica e campo. Para essas, consolidar distribuição e medição tem valor real.

Não fecha para a intranet que publica três avisos por mês e cuja home ninguém abre. Campanha bem medida em cima de intranet abandonada só produz um gráfico caprichado de números baixos.

E se a vontade é só saber quem leu as notícias, as novas páginas HTML do SharePoint já permitem montar um painel de leitura com o Copilot sobre uma lista. Não substitui o Amplify, mas quem visualiza não precisa de licença nova.

O ponto

A Microsoft acertou o lugar: a comunicação interna vive na notícia da intranet, não num aplicativo que ninguém lembra de abrir. Trazer campanhas para o SharePoint é a decisão certa, com uns três anos de atraso.

O que não mudou é o hábito de cobrar por cabeça uma funcionalidade que deveria fazer parte do produto que você já paga. Antes de ativar, faça a conta. E prepare a diretoria para os números. A ferramenta mede leitura. Não melhora o texto.

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